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Revista do Aço

Importação de aço dificulta mercado interno

Importação de aço dificulta mercado interno

EMPRESÁRIOS RECLAMAM DA EXCESSIVA PRESENÇA DE PRODUTOS ESTRANGEIROS NO MERCADO INTERNO

Apesar da previsão de recorde de produção em 2011, 35,3 milhões de toneladas – impactado fundamentalmente pela operação da CSA -, este está sendo considerado um ano difícil para a indústria do aço brasileira. O Instituto Aço Brasil reviu para baixo suas previsões para 2011. O excedente de capacidade de produção de aço em relação à demanda no mundo continua alto (cerca de 500 milhões de toneladas) e também no Brasil (20,2 milhões de toneladas). O país vive, assim como outros da América Latina, o aprofundamento da desindustrialização provocada pelo aumento das importações diretas e indiretas de aço. A cadeia metal mecânica está sendo fortemente impactada. A participação da indústria manufatureira no valor agregado passou de 18,1%, em 2005, para 15,8%, em 2010. Além disso, mais de 60% das exportações da China para o Brasil são de produtos metal-mecânicos. “Diante desse cenário, tivemos que revisar nossas previsões para baixo em 3% na produção de aço bruto para 2011”, disse o presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil, André B. Gerdau Johannpeter.

André Gerdau, Aço Brasil

As importações no ano em curso estão estimadas em 3,7 milhões de toneladas, queda de 37,9% na comparação com o ano passado, mas ainda significativamente acima dos níveis históricos. O consumo aparente deve ser de 25 milhões de toneladas este ano, 4,3 % a menos do que em 2010. As vendas internas devem apresentar crescimento de 3,8 % em relação a 2010, chegando a 21,5 milhões de toneladas, volume ainda abaixo do patamar alcançado pré-crise 2008. As exportações de produtos de aço no período devem totalizar 10,7 milhões de toneladas e 8,3 bilhões de dólares, representando aumento 19,4% em volume e 43,1% em valor, quando comparado com 2010.

Cenário de incerteza

Frente às projeções macroeconômicas do País para 2012, o Aço Brasil estima o consumo aparente de produtos siderúrgicos em 26,7 milhões de toneladas, aumento de 7,1%. “Entendemos que o mundo pós-crise é muito mais complexo e competitivo, o que torna ainda mais importante preservar o mercado interno com a correção das assimetrias competitiva e tributárias”, disse o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, ressaltando a importância estratégica do setor para a economia do país.

Marco Polo, presidente do IAB

Dados preliminares do estudo contratado pelo Aço Brasil à Fundação Getúlio Vargas (FGV) para avaliar a importância do aço na economia brasileira indicam que a participação do setor produtor de aço no PIB do País é de 4%. Embora o setor não seja intensivo em pessoal, gera impacto em setores que o são. Para cada emprego criado na indústria do aço são gerados 23 outros na cadeia. Se o volume de importação direta de 5,9 milhões de toneladas de aço, em 2010, tivesse sido produzido no Brasil, teriam sido gerados 582 mil empregos.

Nesse cenário de incertezas, os investimentos estão sendo revistos em termos de prazos de implementação. No período pós-privatização foram investidos US$ 34,1 bilhões (1994 a 2010). O setor prevê investimentos superiores a US$ 5 bilhões por ano, mas para o efetivo início da implantação de novos projetos deve levar em conta as condições competitivas do mercado brasileiro.

Queda

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA), as importações de aço em 2011 foram 47,5% menores do que no ano anterior. O recuo foi ocasionado principalmente devido à queda do preço do produto nas siderúrgicas nacionais. “As usinas brasileiras adotaram uma postura mais agressiva no ano passado, com margens de lucro mais apertadas. A diminuição do preço do aço comum contribuiu diretamente para a redução da entrada de material siderúrgico estrangeiro no país”, afirma Carlos Loureiro, presidente da entidade.

Carlos Loureiro, presidente do INDA

Mesmo com o resultado negativo na importação, o consumo aparente de aço no Brasil permanece estável nos últimos quatro anos. Dados levantados pelo Inda apontam que as usinas nacionais deixaram de entregar, em 2011, cinco milhões de toneladas de aço, e entre 2007 e o ano passado, a importação indireta de aço cresceu 113,6%. De acordo com o presidente, os setores de máquinas e equipamentos e automotivo (autopeças/automobilístico) são os que mais utilizam o aço indireto.

Em dezembro, foram vendidas 324,8 mil toneladas de aço plano, montante 9,6% menor do que o registrado em novembro e 15,8% superior ao total de aço vendido em dezembro do ano passado. Em 2011, houve um aumento de 11,7% nas vendas quando comparado ao mesmo período do ano anterior. As compras das usinas siderúrgicas registraram queda de 11,7% frente a novembro, totalizando 317,7 mil toneladas. Quando comparadas a dezembro do ano passado, as compras aumentaram 18,5%. No acumulado de 2011, houve baixa de 4% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os estoques registraram queda de 0,7% em relação a novembro, totalizando 1.000,7 mil toneladas. Na comparação com dezembro do ano passado, houve retração de 16,8% no montante de aço armazenado nos distribuidores. Em dezembro, a retração da venda do material provocou o aumento no giro de estoques para 3,1 meses.

2012, novas expectativas

O desempenho das vendas de aço esse ano tiveram alterações Segundo dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil, as importações de aço pelo Brasil subiram 27,5% em março na comparação com o mesmo mês de 2011, motivadas por preços mais baixos no mercado internacional, para 338,4 mil toneladas. A importação de aços longos, utilizados principalmente na construção civil, foram as que mais cresceram, passando de 67,9 mil toneladas em março de 2011 para 105,5 mil toneladas em março de 2012. Com esse incremento, os gastos com importação de aço no mês passado totalizaram US$ 397,8 milhões, contra US$ 322 milhões há um ano.

No acumulado em 2012, a importação de aço registrou alta de 15%, para 996,2 mil toneladas. Em valores, a alta foi de 20,1%, para US$ 1,2 bilhão.

Produção nacional

A produção brasileira de aço bruto em abril de 2012 foi de 3 milhões de toneladas, representando queda de 1,2% quando comparada com o mesmo mês em 2011. Em relação aos laminados, a produção de abril, de 2,2 milhões de toneladas, apresentou crescimento de 0,1% quando comparada com abril do ano passado. Com esses resultados, a produção acumulada em 2012 totalizou 11,8 milhões de toneladas de aço bruto e 8,7 milhões de toneladas de laminados, o que significou aumento de 1,7% e de 2,2%, respectivamente, sobre o mesmo período de 2011.

Quanto às vendas internas, o resultado de abril de 2012 foi de 1,8 milhão de toneladas de produtos, queda de 2,1% em relação a abril de 2011. As vendas acumuladas em 2012, de 7,2 milhões de toneladas, mostraram crescimento de 0,4% com relação ao mesmo período do ano anterior.

As exportações de produtos siderúrgicos em abril de 2012 atingiram 826 mil toneladas no valor de 612 milhões de dólares. Com esse resultado, as exportações em 2012 totalizaram 3,4 milhões de toneladas e 2,4 bilhões de dólares, representando declínio de 7,3% em volume e de 9,0% em valor, quando comparados ao mesmo período do ano anterior.

No que se refere às importações, registrou-se em abril volume de 317 mil toneladas (US$ 362 milhões) totalizando, desse modo, 1,3 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos importados no ano, 16,5% acima do mesmo período do ano anterior.

O consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos em abril foi de 2,1 milhões de toneladas, totalizando 8,4 milhões de toneladas em 2012. Esses valores representaram queda de 0,8 e aumento de 2,0%, respectivamente, em relação a igual período do ano anterior.

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