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Revista do Aço

Indústria busca solução para ano de baixa produtividade

Aço 2015/09/05 Capa Nenhum Comentário
Indústria busca solução para  ano de baixa produtividade

Índices são desanimadores e solução não está no curto prazo

A crise econômica que se instalou no País esse ano tem deixado muitos setores da economia em uma situação difícil. De ponta a ponta, todo o setor produtivo tem queixas. E problemas.

O faturamento da indústria brasileira de máquinas e equipamentos acumula queda de 6,5% no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período do ano passado. É o que mostram os dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Considerando-se apenas o mês de junho, houve recuo de 13,5% em relação ao mesmo mês do ano passado.

A estimativa da associação é que o faturamento do setor recue 5% este ano, o que seria a terceira queda consecutiva da receita líquida de vendas da indústria de bens de capital mecânicos. Em 2013, houve retração de 5% e, em 2014, de 12%. “O drama desses números é que eles não se referem somente ao setor de máquinas. Isso significa reflexo do que está ocorrendo no país. Nossas vendas caem porque o país está investindo cada vez menos”, disse o presidente do Conselho de Administração da Abimaq, Carlos Pastoriza.

O balanço mostra que, de janeiro a junho, as exportações caíram 17,4% em relação ao primeiro semestre de 2014. De acordo com a Abimaq, o resultado é explicado pela “paralisia nos financiamentos à exportação, combinada com a volatilidade cambial”. Para a Abimaq, as variações sucessivas do câmbio são um fator recessivo adicional, pois aumentam os riscos de que haja um descompasso entre os preços dos insumos de produção e os preços de venda.

Carlos Pastoriza destacou que a valorização do dólar ocorreu também em outros países concorrentes e, por isso, não se reverteu em vantagem para os produtos brasileiros. “Pode parecer uma depreciação importante do real que poderia ter dado fôlego em relação aos produtos estrangeiros, mas essa depreciação foi acompanhada pelos outros países.” Segundo Pastoriza, a vantagem ocorre somente em relação à indústria norte-americana.

A retração no setor também se reflete no emprego. As vagas recuaram 6,4% nos primeiros seis meses do ano. A indústria de máquinas e equipamentos encerrou o período com 337 mil pessoas empregadas. Em 2014, eram mais de 368 mil no mesmo período.

Alta na taxa de juros

Pastoriza considera que o último aumento da taxa básica de juros, a Selic, é um golpe ao setor produtivo. “No atual cenário, a alta dos juros significa mais um duro golpe e uma verdadeira catástrofe para o já combalido setor produtivo, justamente em um momento que o país necessita de mais e não menos investimentos, para que a economia brasileira possa dar sinais de retomada e evitar um mergulho na recessão, com consequente fechamento de centenas de milhares de postos de trabalho”, disse nota da Abimaq.

Sempre que questionado sobre o assunto, o presidente da entidade diz estar convicto de haver outros mecanismos para combater a inflação. Segundo ele, o aumento na taxa de juros traz efeitos colaterais danosos para o setor produtivo.

Na indústria siderúrgica as reclamações e os problemas são muitos. Os prognósticos são de deixar qualquer um preocupado. Dados do Instituto Aço Brasil indicam que a indústria siderúrgica brasileira deve ter uma redução de 3,4% na produção de aço e de 15,6% nas vendas para o mercado interno em 2015. A entidade divulgou um relatório com as projeções divulgadas em abril que situam os números deste ano em patamares próximos de 2007. “Esta é uma crise muito forte e diferente daquela de 2008 e 2009”. Para o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello, a avaliação do conselho e de associados do instituto é que a crise de 2008 pegou o setor de forma diferente e, por isso, a recuperação foi mais rápida. “Estamos mergulhando na crise atual em condições mais adversas, pois temos quedas de crescimento mais recentemente.”

A produção siderúrgica prevista para este ano é de 32,8 milhões de toneladas, 3,4% menor que em 2014, enquanto o cálculo das vendas no país para 2015 é de 18,3 milhões de toneladas, 15,6% inferior ao volume de aço negociado no país no último ano. Em termos de consumo, espera-se que o Brasil utilize este ano 22,3 milhões de toneladas de aço, o que representa uma redução de 12,8% frente aos números de 2014 e ratifica os patamares de 2007, antecipados no último relatório do Instituto Aço Brasil. Assim, para compensar a demanda interna, a importação da matéria-prima deverá chegar neste ano a 4 milhões de toneladas, um ligeiro crescimento de 0,8% em comparação com o ano passado. “O enfraquecimento do cenário político-econômico nacional foi determinante para piorar o desempenho verificado na indústria brasileira de aço neste ano e em seus principais segmentos consumidores”, apontou o relatório. O documento cita os problemas nos setores automotivo, de construção civil e de máquinas e equipamentos, responsáveis por quase 80% do consumo de aço no país. A economia brasileira cresceu 0,1% em 2014 e, para este ano, calcula-se uma contração superior a 1,2%, enquanto a inflação prevista para 2015 será o dobro da meta oficial de 4,5%. Como consequência desse cenário, o setor suprimiu 11.200 postos de trabalho de “colaboradores”, unidades de produção foram paralisadas ou desativadas e investimentos da ordem de US$ 2,1 bilhões foram suspensos, segundo o instituto.

“As importações cresceram, apesar da apreciação do dólar e das expectativas de que, com a flutuação da moeda, pudesse haver refluxo”, explicou Lopes. O presidente do instituto acrescentou que as questões estruturais e conjunturais obrigaram o setor a utilizar sua capacidade produtiva em grau muito baixo. “Deveríamos estar operando com 80% da capacidade instalada, mas operamos com 69%, muito abaixo do que seria razoável. Se nada for feito com relação a essa situação de importações no país, estaremos em 2024 com 46% do consumo via importações diretas e indiretas. É inaceitável que se monte um parque industrial para ser atacado pelas importações.”

Marco Polo esclareceu que os impactos da crise no setor foram a demissão de 11.188 funcionários e 1.397 mil contratos suspensos. Segundo ele, em 2014 o setor empregava 122.139. Acrescentou que a estimativa é que, no fim do ano, o setor feche com 15 mil postos de trabalho a menos, o que corresponde a 13% do contingente. “Também ocorreu adiamento de US$ 2,1 bilhões. Com isso, deixamos de gerar 7,2 mil novos postos de trabalho. Esse quadro se agravará se não houver medidas de reversão”, concluiu.

Produção de veículos

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que a produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mercado brasileiro caiu 18,5% no primeiro semestre deste ano, divulgou ontem a. De janeiro a junho, foram fabricados 1.276.638 veículos em todo o País. Em junho, foram produzidas 184.015 unidades, o equivalente a queda de 12,5% ante maio e de 14,8% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Considerando apenas automóveis e comerciais leves, a produção no primeiro semestre recuou 17%, ao totalizar 1.221.143 unidades produzidas, sendo 1.033.838 automóveis e 187.305 comerciais leves. Apenas em junho, 176.932 autos e leves foram fabricados, retração de 12,4% em relação a maio e recuo de 13,8% comparado com junho de 2014. Segundo a Anfavea, no em maio foram produzidos 149 650 automóveis e 27.282 comerciais leves no País.

A produção de caminhões, por sua vez, tombou 45,2% nos seis primeiros meses de 2015. No período, foram fabricadas 41.630 unidades. Em junho, a produção totalizou 5.284 caminhões, o equivalente a quedas de 14,3% ante maio e de 35,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já a produção de ônibus recuou 27,8% no primeiro semestre, ao totalizar 13.865 unidades. Só no mês passado, foram fabricados 1.799 ônibus, quedas de 22,4% na variação mensal e de 29,2% na anual.

A venda de veículos no mercado brasileiro caiu 20,7% no primeiro semestre de 2015, segundo a Anfavea. De janeiro a junho, foram emplacados 1.318.949 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus em todo o Brasil. Apenas em junho, foram licenciadas 212 524 unidades, o correspondente a quedas de 0,1% ante maio e de 19,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Levando em conta apenas automóveis e comerciais leves, as vendas no primeiro semestre recuaram 19,7%, ao somar 1.271.989 unidades, sendo 1.076.261 automóveis e 195.728 comerciais leves. Desse total, 204.896 autos e leves foram emplacados em junho, retração de 0,2% em relação a maio e recuo de 18,4% frente junho de 2014. De acordo com a Anfavea, no sexto mês de 2015, foram vendidos 175.272 automóveis e 29.624 comerciais leves em todo o País.

A venda de caminhões, por sua vez, caiu 42,3% nos seis primeiros meses de 2015. No período, foram emplacadas 37.295 unidades. Só em junho, os licenciamentos totalizaram 6.181 unidades, o equivalente a alta de 2,7% ante maio, porém a queda de 41,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. Já os emplacamentos de ônibus recuaram 27,7% no primeiro semestre, ao totalizar 9.665 unidades. Só no mês passado, foram vendidos 1.447 ônibus, quedas de 0,3% na variação mensal e de 26,3% na anual.

As exportações de veículos e máquinas agrícolas somaram US$ 5.549.347 no primeiro semestre deste ano, baixa de 7,4% em relação a igual período do ano passado, segundo a Anfavea. Somente em junho, o setor exportou US$ 1.014.989, o equivalente a queda de 19,7% ante maio e a alta de 20,1% em relação ao mesmo mês do ano passado.

No sexto mês deste ano, foram exportadas 48.068 unidades de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O número não incluiu máquinas agrícolas. A quantidade corresponde a altas de 17,9% na comparação com maio e de 96,8% ante junho do ano passado. Com o resultado, as exportações em unidades avançaram 16,6% no primeiro semestre de 2015 frente a igual período de 2014, ao totalizar 197.348 unidades.

Retomada das vendas

Com o impacto da piora da crise política sobre a conclusão do ajuste fiscal na economia brasileira, a retomada das vendas de veículos novos no Brasil deve ficar somente para o segundo trimestre de 2016, prevê o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan. Para o segundo semestre deste ano, o executivo projetou uma “estabilidade, com viés de alta”.

“No início de junho, quando fizemos revisão de nossas previsões, colocamos claramente que poderíamos ter um início de retomada no último trimestre deste ano, mas, com o adiamento dessa questão (ajuste fiscal), já podemos pensar em uma inflexão da curva no segundo trimestre do próximo ano”, afirmou Moan. Na avaliação dele, a crise política deve atrasar a aprovação das medidas do ajuste no Congresso, o que “nos leva a uma crise um pouco mais prolongada e a um volume de vendas baixíssimo por mais tempo do que imaginávamos”.

Para o segundo semestre de 2015, o executivo estimou que o setor deve apresentar um desempenho estável em relação à primeira metade do ano. Ele previu que as medidas de ajuste nos estoques – até maio, equivalente a 47 dias de vendas – devem durar até setembro. “Não vemos cenário de queda mais acentuada do que já tivemos. Diria muito pelo contrário: podemos até ter alguns indicadores positivos, além da estabilidade com viés de alta”, disse. De janeiro a junho, os emplacamentos acumulam retração de 20,7% ante igual período de 2015, enquanto a produção recua 18,5%.

Para 2015, a Anfavea prevê que serão emplacados 2,779 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus novos em todo o País, o equivalente a queda de 20,6% em relação ao ano passado. Já para a produção, a entidade estima que serão fabricadas 2,585 milhões de unidades, retração de 17,8% ante 2014. A associação que reúne as montadoras projeta ainda que serão exportados 338 mil veículos neste ano, crescimento de pouco mais de 1% na comparação com o ano passado.

Moan ainda avaliou que os dados ruins da indústria automotiva brasileira refletem o “estado de espírito” não só do setor, mas da economia como um todo, inclusive de áreas que, em tese, não deveriam sentir, como o agronegócio. “Qual a crise real do setor de agronegócio brasileiro? A previsão é de safra recorde”, questionou. “Qual é o motivo real que está impactando o mercado? Se pensarmos e nos concentrarmos nesse setor, vamos perceber: há um exagero nesse clima de pessimismo que hoje verificamos no nosso País”, criticou.

O executivo destacou que a Anfavea vem provendo ações para aumentar as vendas internas e estimular as exportações, como festivais de vendas com descontos e renovação de acordos comerciais com outros países. De acordo com ele, essas ações visam melhorar o nível de confiança dos consumidores. “A indústria automobilística continua investindo. E continuamos investindo porque sabemos que o momento (de crise) que estamos passando se restringe a um momento”, disse.

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