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Revista do Aço

Produção e importações são afetadas pela crise econômica

Aço 2015/09/05 Siderurgia Nenhum Comentário
Produção e importações são afetadas pela crise econômica

Players do setor apontam para uma onda de grandes dificuldades para o mercado brasileiro do aço

Os dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil (IABr) em junho. As vendas de produtos siderúrgicos ao mercado brasileiro naquele mês mostraram queda de 9% em relação ao mesmo mês de 2014, atingindo 1,5 milhão de toneladas. As vendas acumuladas em 2015, de 9,7 milhões de toneladas, mostraram queda de 12,9% em comparação a igual período do ano anterior. “Ressalte-se que em 2015, para o período em referência, houve declínio mais acentuado de vendas do que aquele verificado em 2014 quando comparado a 2013”, comentou o IABr.

Em termos de “consumo aparente nacional”, segundo o instituto, o resultado de junho alcançou 1,8 milhão de toneladas de produtos siderúrgicos, totalizando 11,7 milhões de toneladas entre janeiro a junho de 2015. Esses volumes representaram queda de 7,5% e 10,4%, respectivamente, em relação aos mesmos períodos de 2014. E as importações? Em junho, registrou-se o volume de 330 mil toneladas (US$ 283 milhões), totalizando 2,1 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos importados no ano, alta de 4,3% em relação ao igual período do ano passado.

“Apesar das condições adversas do mercado internacional, as exportações de produtos siderúrgicos em junho atingiram 1,2 milhão de toneladas, no valor de 571 milhões de dólares devido, principalmente, às operações “inter companies” de fornecimento de semiacabados para alimentar plantas na Europa e nos Estados Unidos, e, também, devido a ações emergenciais do setor para evitar redução ainda maior do grau de utilização da capacidade instalada”, avaliou o IABR. Com esse resultado, as exportações até junho último somaram 5,7 milhões de toneladas e 3,3 bilhões de dólares, avanço de 46,1% em volume e de 12,7% em valor, quando confrontados com o mesmo período do ano anterior.

Os números acima não animam os players do mercado. Em recente entrevista à imprensa, o presidente executivo do IABr, Marco Polo de Mello Lopes, não demonstrou entusiasmo. Ao contrário: mesmo reconhecendo um ligeiro avanço nas exportações e importações do aço, Lopes lembrou que os setores ligados ao consumo interno apresentaram desempenho ruim no primeiro trimestre de 2015. “No curto prazo, não há nada que sinalize melhora nesse cenário”, advertiu.

Outro fator que explica o péssimo desempenho dos setores consumidores de aço brasileiro está relacionado ao baixo índice do PIB. “A perda de produtividade reflete no PIB e na demanda interna. Portanto, as importações de aço serão afetadas”, argumenta o presidente da Imexbra Trading, Osvaldo Sicardi. Lopes avalia que as condições econômicas não permitem o Brasil ter perspectiva de crescimento. “Estamos falando de uma previsão negativa do PIB”, emenda. O executivo adverte para a queda gradativa da participação da indústria no Produto Interno Bruto – de 25% na década de 80 para atuais 12%, o que naturalmente leva à perda inevitável de competitividade.

Segundo o presidente do IABr, ao avaliar-se o cenário internacional é possível identificar excedente na capacidade de 700 milhões de toneladas de aço em todo o mundo. A conseqüência é a efetivação de “práticas predatórias e a um surto de importação muito grande para o Brasil”. Sicardi analisa a questão por outro ângulo. Segundo ele, com a queda da demanda interna, as usinas terão de voltar-se novamente ao incremento das exportações a custos variáveis para utilizar sua capacidade ociosa.

“Evidentemente, fora os produtos que não são produzidos no Brasil, a importação de aço foi resultado de um oportunismo econômico devido ao fato de um Real supervalorizado, altos preços internos e facilidade em conseguir financiamentos baratos”, assevera o presidente da Imexbra.

Sicardi recorda que, em 2000, a participação da China na importação de produtos siderúrgicos brasileiros, era de 1,3%. No ano passado, essa participação subiu acima de 52%. “É uma situação difícil”, disse ele. Em sua análise, com a desvalorização do Real, a diminuição da demanda interna, ajuste de preços das usinas locais e perda das margens de lucro, “as importações deveriam cair a quantidades históricas muito mais reduzidas que as dadas nos últimos cinco anos”. E não foi bem isso que aconteceu. 

Lava Jato

O presidente da Trumpf do Brasil, João Carlos Visetti, argumenta que o governo exibe falta de capacidade para investir em infraestrutura – na acepção ampla da palavra –, situação agravada com a operação Lava Jato, que afeta as concessões. “As grandes empreiteiras estão na lista negra nesse escândalo da Petrobrás”, avaliou. E acrescenta: “Não podemos penalizar toda a cadeia da indústria em função da ação de alguns poucos”. E pede punição a todos os envolvidos.

Visetti debita ao governo a irresponsabilidade de não adotar uma política fiscal que atenda às necessidades do setor e o descontrole nas contas públicas. Em sua opinião, o Executivo simplesmente transferiu os gastos do ano passado para 2014 e, naturalmente, teve como consequência a paralisia do mercado. Um exemplo é o segmento da agroindústria, que pode ser afetado por essa manobra. Mediante esse cenário Visetti acredita que 2015 será um ano de “sobrevivência”, com demanda reprimida, juros altos e confiança governamental abalada.

Em entrevista à Agência Brasil, Lopes também analisa a questão com ceticismo. “Temos um cenário interno que, dadas as condições econômicas, não permite ter perspectiva de crescimento. Estamos falando de uma previsão do Produto Interno Bruto negativa”, reforça o presidente do IABr. Na análise do panorama internacional, o dirigente avisa: há um excedente de capacidade de 700 milhões de toneladas no mundo, “o que leva práticas predatórias e a um surto de importação muito grande para o Brasil”.

De qualquer maneira, especialistas apontam a alta taxa básica de juros (Selic) como o principal vilão para a retomada dos investimentos no país. Somam-se a isso o câmbio, a alta carga tributária, custos da energia elétrica, entre outros componentes. Neste segundo semestre, ainda está valendo a tese: o setor de aço brasileiro enfrenta grandes barreiras para competir em pé de igualdade com os produtos importados e também perde em nível de exportação.

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