Recuperação após uma “Década Perdida”

Pinterest LinkedIn Tumblr +
Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

O balanço de 2019 da CBIC indica o início da recuperação da indústria da construção civil, depois de uma década de ‘vacas magras’

Por Ricardo Torrico

O início de uma nova década é sempre uma oportunidade para avaliar o desempenho econômico de um país ou setor. Neste início de 2020, ou seja, de uma nova década, alguns setores, como o da construção civil, têm divulgado um balanço da década anterior, com o objetivo de definir as diretrizes para orientar as suas próximas ações. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) fez sua ‘lição de casa’, condensada no estudo Economia nacional e construção civil: desempenho recente e perspectivas, apresentado no dia 12 de fevereiro de 2020, em Brasília, durante a reunião do Conselho de Administração da entidade.

Elaborado pela economista Ieda Vasconcelos, do Banco de Dados da Construção da CBIC, o trabalho analisou o cenário econômico internacional e nacional, com o objetivo propor alternativas para as atividades do setor. A primeira conclusão do estudo é que o período de 2010 a 2019 foi uma ‘década perdida’ para o setor da construção civil, mas que, em 2019, quando os números estiverem consolidados, deverá voltar a ter uma taxa de crescimento superior ao PIB nacional – fato que não acontecia desde 2013 –, o que indica uma clara uma mudança de rota nas suas atividades. A perspectiva é que em 2019 o PIB do setor tenha crescido 2%, enquanto as estimativas sinalizam que o PIB nacional deverá crescer 1,2% – percentual que acabou se reduzindo ao índice oficial de 1,1%, divulgado na primeira semana de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Outro levantamento do IBGE indica que o setor da construção civil registrou um crescimento de 62% entre 2006 e 2013, mas entre 2014 e 2018 amargou uma queda de 30%. No cômputo geral do período, o PIB do setor amargou uma redução de 6% entre 2010 e 2019 – o pior desempenho setorial de toda a economia nacional.

Gráfico da pg. 4.  – Evolução do PIB da Construção Civil (Base 1995 = 100)

Emprego informal

Embora seja um dos setores que mais empregam no País, a construção civil se caracteriza pelos seu alto grau de informalidade. Conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua, do IBGE, no terceiro trimestre de 2019, a população ocupada total no País correspondia a 93,8 milhões de pessoas, sendo que, desse total, 6,86 milhões, ou 7,31%, são empregados pela construção civil. Mas, enquanto 63% da população ocupada total é formada por trabalhadores formais e 37%, informais, na construção civil ocorre exatamente o contrário: 37% são trabalhadores formais e 63%, informais. Interessante notar a exata inversão os percentuais de formalidade e informalidade entre o total de trabalhadores brasileiros e os da construção civil. Fazendo um cálculo adicional, verifica-se que a construção civil é responsável por 7,31% das pessoas ocupadas, mas responde por 12% da informalidade.

Segundo o CBIC, somente na construção civil mais de quatro milhões de pessoas poderiam contribuir para a Previdência Social, mas não contribuem. Conforme os dados da PNAD Contínua/IBGE, o rendimento médio habitual das pessoas ocupadas na construção civil, em novembro de 2019 – último dado divulgado –, era de R$ 1.788,00. Considerando que o setor tem 4,328 milhões de trabalhadores informais, pode-se concluir que a massa de rendimentos dos informais corresponde a R$ 7,738 bilhões.

O CBIC fez uma simulação sobre a provável contribuição da massa de trabalhadores informais da construção civil à Previdência Social: em um mês, a contribuição seria de R$ 1,305 bilhão; em um ano, seria de cerca de R $17 bilhões; e em dez anos –  considerado o tempo da Reforma Previdenciária –, a contribuição corresponderia a cerca de R$ 170 bilhões.

Sinais de recuperação

De acordo com o levantamento Indicadores Imobiliários Nacionais, da CBIC, elaborado em dez regiões metropolitanas do País, em 2019, os lançamentos de unidades residenciais cresceram 15,4% em relação a 2018, atingindo 130.137 unidades, enquanto vendas cresceram 9,7%, totalizando 130.434 unidades. Segundo o presidente da entidade, José Carlos Martins, em 2020, os lançamentos e as vendas deverão crescer de 10% a 20%, como resultado da provável recuperação da economia e das novas condições de crédito imobiliário.

Martins considera o grande desafio para o setor imobiliário, em 2020, a busca de uma solução definitiva para a liberação de recursos para os repasses das faixas 1,5 e 2 do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Ele estima que, em 2019, as vendas do segmento de habitação de mercado – ou seja, unidades dos padrões médio e alto – tenham crescido quase 30%, enquanto as do programa MCMV sofreram uma queda entre 10% e 15%, devido às restrições na liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.
Share.

About Author

Leave A Reply