Recuperação em Patamar Baixo

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A indústria automotiva nacional apresentou sinais de recuperação em julho, mas seus indicadores ainda estão muito abaixo dos níveis anteriores à pandemia

Por Ricardo Torrico

O setor automotivo, um dos principais usuários de aço, sofreu um forte impacto das medidas adotadas para combater a pandemia do novo coronavirus. Assim como a maioria dos setores da economia, obedeceu às quarentena decretadas pelos governos estaduais ou municipais, paralisando suas linhas de produção, assim como as concessionárias também tiveram que ser fechadas. Mantida durante mais de quatro meses, essa situação provocou sérios estragos nos resultados colhidos nesse período pelo setor, refletidos no levantamento mensal feito pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Produção e mercado

Passados os três meses de quarentena, tanto as montadoras quanto as concessionárias foram autorizadas a funcionar no mês de julho − obedecendo, porém, rígidos protocolos de segurança −, o que permitiu colher números mais positivos para o setor na comparação com o tombo registrado no segundo trimestre. De acordo com o balanço divulgado pela Anfavea, em julho a produção de autoveículos atingiu 170,3 mil unidades, o que representou uma elevação de 73% sobre junho, mas foi ainda 36,2% inferior ao total produzido em julho de 2019. Apesar dessa recuperação, a entidade destaca que foi o pior mês de julho desde 2003 para o setor.

No que se refere ao mercado, os 174,5 mil emplacamentos de autoveículos registrados em julho indicam um crescimento de 31,4% sobre junho, mas também uma queda de 28,4% em relação a julho de 2019 − foi o pior volume desde 2006. Na comparação com esses mesmos períodos, as exportações subiram 49,7% e recuaram 30,8%, respectivamente. No resultado acumulado de janeiro a julho, a queda mais dramática foi na produção, −48,3% − a mais baixa deste século−, seguida pelas exportações e licenciamentos, que caíram 43,7%, e 36,6%, respectivamente. Ainda no acumulado desses sete meses, foram emplacados 983,3 mil autoveículos, volume 36,6% menor do que os 1.551,8 mil autoveículos emplacados no mesmo período de 2019.

Exportações - Mercado AutomotivoComo vem ocorrendo desde o início da pandemia no Brasil, os segmentos de caminhões e máquinas autopropulsadas têm conseguido manter o ritmo de vendas e produção acima dos veículos leves, o que não impede a ocorrência de perdas na comparação com o ano anterior. O único indicador positivo no acumulado do ano é o de vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias, 1,3% superior ao de 2019.

“Além de ter um número maior de dias úteis, julho foi um mês no qual as montadoras e concessionárias fizeram um grande esforço para recompor o caixa prejudicado pela longa quarentena. Mas o ritmo de vendas diário foi apenas 20% superior ao de junho, o que demanda cautela na análise de como será a recuperação no segundo semestre. Ainda temos uma pandemia que não dá trégua, com casos crescentes da covid-19 em estados importantes do país. É como se estivéssemos numa estrada sinuosa e com forte neblina, com grande dificuldade de enxergar o horizonte com clareza”, avalia o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

Exportações em queda

Assim como no mercado interno, as exportações do setor também sentiram o efeito da redução generalizada na demanda nos mercados internacionais. Em julho, a indústria nacional exportou 29,1 autoveículos, volume 49,7% superior às 19,5 mil unidades exportadas no mês anterior, mas 30,8% inferior às 42,1 mil unidades exportadas em julho de 2019. No período de janeiro a julho, foram exportados 148,7 mil autoveículos, o que significou uma redução de 43,7% sobre as 264,1 mil unidades exportadas no mesmo período de 2019.

Adiamento do Proconve

Diante da crise gerada pela maior pandemia dos últimos 100 anos, a Anfavea julga necessário adiar por 2 ou 3 anos as próximas etapas do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) para veículos leves e pesados. Não só por uma questão econômica, já que o setor vai perder quase 40% de sua receita neste ano, mas também por uma questão sanitária. A Anfavea argumenta que todos os testes de desenvolvimento foram prejudicados pela quarentena e continuam em ritmo mais lento para manter a proteção dos profissionais de laboratório e de campo que trabalham nesses projetos.

“Uma crise dessa dimensão vem afetando todos os campos profissionais e não é diferente com nossa indústria. Somos a favor das novas etapas de redução de emissões, cujo cronograma ajudamos a elaborar. Essa sugestão de um breve adiamento não afeta nosso compromisso com o meio ambiente. Após todos os investimentos e esforços feitos desde a década de 1980, com resultados mensuráveis na ponta do escapamento e na qualidade do ar, chega a ser intelectualmente desonesto colocar o ônus da poluição das cidades nos veículos atualmente em produção, essencialmente limpos”, conclui Luiz Carlos Moraes.

Comparativo 2019x2020 - Autoveículos - Anfavea

Acesse: www.anfavea.com.br

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