RECUPERAÇÃO gradual em AMBIENTE nebuloso

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Apesar das atuais barreiras e incertezas, os investimentos e, consequentemente, a demanda de aço apresentam uma moderada tendência de recuperação.
Por Ricardo Torrico

Déficit fiscal inibindo investimentos, reforma da Previdência indefinidamente adiada, desemprego persistente, redução do consumo, o próprio presidente sendo investigado pela Lava Jato, total incerteza política a apenas três meses das eleições, dólar em alta, aumento constante do preço dos combustíveis, paralisação de caminhoneiros. Motivos não faltam para justificar uma drástica estagnação da economia nacional. No entanto, ela teima em se recuperar, ignorando os inúmeros raios e trovões conjunturais. Pelo menos, é que se pode depreender dos resultados apresentados pelos principais setores da indústria nacional.

Indicadores positivos

Segundo os dados levantados pelo Instituto Aço Brasil (IABr), nos quatros primeiros meses de 2018, a produção brasileira de aço bruto alcançou 11,6 milhões de toneladas, o que representa um incremento de 4,1% frente ao mesmo toneladas, volume 7,1% maior em relação a 2017. Já a produção de semiacabados para vendas totalizou 3,1 milhões de toneladas, caindo 0,1% na mesma base de comparação.  Vale lembrar que a diferença entre o total da produção de aço bruto e a soma da produção de laminados e semiacabados para vendas se deve à perda que ocorre durante o processo produtivo.

No mesmo período, o consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos foi de 6,7 milhões de toneladas no mesmo período, o que significa uma alta de 13,4% frente aos primeiros quatro meses de 2017. As vendas internas foram de 5,9 milhões de toneladas, o que representa uma elevação de 14,7% quando comparado com igual período do ano passado.

As exportações de produtos siderúrgicos atingiram 4,7 milhões de toneladas e US$ 2,9 bilhões nos quatro primeiros meses de 2018. Esses valores representam aumentos de 0,6% e 23,9%, respectivamente, na comparação com o mesmo período de 2017. As importações alcançaram 791 mil toneladas no acumulado do primeiro quadrimestre de 2018, aumentando 0,1% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 872 milhões, uma alta de 29,2% no mesmo período de comparação.

Distribuidores otimistas

De acordo com o levantamento mensal feito pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), em abril, as compras dos distribuidores registraram um volume total de 263,8 mil toneladas, o que significou uma redução de 7,0% em relação ao mês anterior, mas também uma elevação de 19,2% em comparação com as 221,3 mil toneladas compradas em abril de 2017. As vendas de aços planos atingiram 225,1 mil toneladas, volume 14,4% inferior em comparação com as 262,9 mil toneladas vendidas em março, mas 5,4% superior sobre as 213,7 mil toneladas vendidas em abril de 2018. A expectativa da rede associada ao Inda é de que, no mês de maio, tanto as compras quanto as vendas tenham uma alta de aproximadamente 7%.

Os estoques de abril cresceram de 4,4% em relação ao mês anterior, atingindo 926,0 mil toneladas. O giro dos estoques também subiu, fechando em 4,1 meses, ou seja, acima dos 3,5 meses considerado ideal pelas empresas distribuidoras. Já as importações encerraram o mês de abril com um volume total de 97,7 mil toneladas, volume 21,0% inferior às importações do mês anterior, mas 34,0% superior à 72,9 mil toneladas importadas em abril de 2018.

Automóveis acelerados

Um dos principais mercados consumidores de aços, o setor automotivo tem dado sinais claros de recuperação este ano, segundo o levantamento realizado mensalmente pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos automotores (Anfavea). O mercado interno, avaliado pelo número de licenciamentos de veículo nacionais e importados, acumulou 964,8 mil veículos leves, caminhões e ônibus, no período de janeiro a maio deste ano, volume 17,0% superior ao do mesmo período de 2017. Se, por um lado, a base de cálculo é baixa, já que esse mercado esteve em recesso em 2017, por outro, o percentual de crescimento de dois dígitos – e mais próximo a 20% – é sinal claro de uma franca recuperação.

O valor das exportações de veículos leves, caminhões e ônibus atingiu US$ 7,22 bilhões no período de janeiro a maio deste ano, o que representou uma elevação de 19,5% sobre o valor das exportações contabilizadas no mesmo período de 2017. Para atender à demanda interna e às exportações, a indústria nacional produziu 1,178 milhão de veículos, caminhões e ônibus nos primeiros cinco meses deste ano, volume 12,1% superior ao do mesmo período de 2017.

A Anfavea trabalha com estimativas positivas quanto aos principais indicadores a indústria automotiva nacional em 2018, em comparação com 2017, tais como um aumento de 13,2% no total produzido e de 5,4% no valor das exportações. (veja o quadro Previsões 2018)

Máquinas reaquecidas

A receita líquida total da indústria de máquinas e equipamentos atingiu R$ 22,1 bilhões no período de janeiro a abril deste ano, valor 5,4% superior ao do mesmo período de 2017. Já a receita líquida interna atingiu R$ 11,1 bilhões entre janeiro e abril, valor 10,5% menor que o registrado no mesmo período de 2017.

As exportações do setor cresceram 28,7% no acumulado de janeiro a abril deste ano sobre o mesmo período de 2017, atingindo US$ 3,4 bilhões. Já as importações totalizaram US$ 4,8 bilhões, evoluindo 15,5% sobre o mesmo período de 2017.  O consumo aparente de máquinas e equipamentos (produção interna + importações – exportações), índice que reflete os investimentos feitos pelo parque industrial nacional, atingiu R$ 28,9 bilhões no acumulado de janeiro a abril de 2018, valor 3,6% superior ao registrado no mesmo período de 2017.

O emprego do setor tem mostrado uma tendência à estabilidade, atingindo 294.372 pessoas empregadas, volume 0,2% superior ao do mês anterior, mas ainda muito abaixo dos 380.754 postos de trabalho registrados em abril de 2013.

Com o ano de 2018 chegando à sua exata metade, o horizonte conjuntural não oferece perspectivas promissoras. Exemplo disso é a revisão das previsões de inflação – para cima – e do crescimento do PIB – para baixo – feita pelo mercado, como consequência das perdas provocadas pela paralisação dos caminhoneiros no final de abril. Um problema que, aliás, ainda carece de uma solução definitiva. Ou seja, se o panorama já não estava uma maravilha, agora tende a ficar mais crítico. Só resta esperar que a economia nacional continue mantendo seu próprio impulso de crescimento, ignorando mais esses contratempos.

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