Tudo Começou com um Sonho

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A Rigitec e a BTL são a realização do projeto de vida que José Marcio Bertoldo traçou e executou tendo e estimulando os seus funcionários a ter uma boa capacitação profissional

Por Ricardo Torrico

Ser, um dia, o dono de uma bem-sucedida empresa industrial era o sonho de José Marcio Bertoldo ao se formar, na década de 1960. Mas, embora fosse muito jovem, ele sabia que transformar esse sonho em realidade exigia uma profunda qualificação profissional, que ele só teria condições de conseguir sair de sua cidade, pequena cidade do interior paulista e indo para a capital − e foi o que ele fez. Em São Paulo, procurou cursar melhores escolas que pudessem prepará-lo para transformar o sonho em realidade. Começou fazendo o curso de Técnico Industrial no Senai, seguido de cursos de Administração e Contabilidade, entre outros, perseguindo sempre o objetivo de estar preparado para não errar − pelo menos na medida do possível. Até que um dia ele achou que estava apto para montar o seu próprio negócio.

E seu primeiro empreendimento foi a Indústria Mecânica Fontaniello, fundada em 1970 e dedicada à fabricação de peças usinadas para alguns pequenos clientes, sendo um deles uma empresa chamada Rigitec, localizada no município paulista de Capivari, que José Marcio Bertoldo acabou adquirindo e cujo nome e marca acabou adotando. Nessa época, a Rigitec fornecia aos principais ‘sistemistas’ das montadoras automotivas, como a ZF do Brasil, Robert Bosch e Case, bem como ao mercado de reposição. “Nos 48 anos de atuação nesse mercado, não perdemos um único cliente: todos eles ainda fazem parte da nossa carteira − e isso é algo de que posso me orgulhar”, afirma o empresário.

Primeiras parcerias

Em 1978, a Rigitec iniciou o fornecimento para a indústria automobilística, através da empresa ZF, até hoje um dos principais parceiros de negócios. Em 1980, firmou uma forte parceria com a Bosch, desenvolvendo uma linha de tubos injetores diesel. De lá para cá, foram fornecidas mais de 7 milhões de peças com alto grau de confiabilidade. Em 1998, a Rigitec recebeu a Certificação ISO 9000 e, em 2003, a ISO/TS 16.949, tornando-se uma fornecedora direta para as montadoras de veículos, sendo as primeiras a Mercedes-Benz e a VW Caminhões (MAN). Em 2007, a Rigitec adquiriu um concorrente localizado em Cachoeirinha (RS), estabelecendo sua primeira filial, denominada Rigitec Sul, com o objetivo de melhor atender os clientes da linha agrícola na Região Sul do país.

Em 2009, foi fundada a BTL Steelworks, uma nova empresa, fabricante de tubos em aço sem costura, para atender à demanda da Rigitec e de outros clientes, tanto do mercado automotivo quanto de outros segmentos. “A maioria dos produtos da Rigitec usa tubos sem costura e a variedade das medidas utilizadas sempre foi um problema para nós, já que tínhamos que comprar uma gama muito grande de matéria prima. Por esse motivo, há mais de 30 anos, montamos uma pequena trefilação, para trefilar os tubos com as medidas que a Rigitec precisava. Isso foi feito até 2005, quando, estando o mercado aquecido e existindo facilidades para importar, nós começamos a importar tubos sem costura”, explica Bertoldo. “Fomos então conhecer fabricantes de tubos sem costura praticamente em todo o mundo, e conseguimos importar produtos da Ucrânia, China etc. Mas, depois, o governo brasileiro adotou medidas antidumping, que impediram a importação de tubos e isso se tornou um problema para nós, porque já estávamos acostumados a importar tubos com preços bem convenientes.”

Produção complexa

Tendo visitado diversos fabricantes de tubos, um dos filhos de José Marcio sugeriu ao pai visitar um fabricante de equipamentos, para verificar que não era tão difícil fabricar tubos sem costura. “Eu visitei esse fabricante mais de uma vez, para me certificar que nós tínhamos condições de fabricar aqui. Depois dessas visitas, acabamos importando as máquinas. As importações de tubos começaram em 2007 e as primeiras máquinas foram importadas em 2009”, relata José Marcio Bertoldo, que, no entanto, observa que implantar a produção de tubos sem costura foi uma operação bastante complexa. “Um dos fatores que protelaram o início da nossas produção foi a necessidade de contar com fornecimento de gás natural, para ser utilizado nos fornos que produzem os billets a serem trefilados. Depois dessa fase de implantação, a nossa trefilação começou a ter um porte maior; com uma gama maior de máquinas e formas, mas também começou a ficar mais produtiva.”

Uma tragédia familiar interrompeu esse ritmo dinâmico em 2012, mantendo as máquinas paralisadas durante dois anos. “Eu fiquei sem saber se ia continuar com a fábrica de tubos ou não, mas aí eu ‘peguei na mão de Deus’ e, amparados por Ele, voltamos à ativa”, conta José Marcio Bertoldo. “Hoje, temos uma laminação de tubos com diâmetros até 63 mm e outra para diâmetros até 114 mm. Fornecemos a clientes de porte e estamos indo relativamente bem, dentro dos nosso limites, já que não pretendemos abraçar o mundo, mas apenas queremos nos manter bem ocupados.”

Diversificação de clientes

Embora a BTL tenha sido criada principalmente para fornecer tubos sem costura à Rigitec, sua capacidade de produção em um nível rentável resultou muito maior do que o volume que este ‘cliente’ demandava. No processo de verticalização da Rigitec, para fazer a trefilação, também foi necessário fazer a laminação. Só que a capacidade de laminação resultou muito maior do que a transformação em peças. Assim, a solução para manter a produção da BTL em um patamar rentável foi passar a atender outros segmentos industriais, como o de óleo e gás.

Assim, o mercado da BTL se ampliou de uma forma tal que a Rigitec acabou passando à condição de seu segundo cliente.

Uma das grandes diretrizes de José Marcio Bertoldo é não fabricar nada que ele não domine bem, tendo sempre como principal objetivo manter um alto padrão de qualidade. Essa obsessão com o domínio dos processos produtivos e com a qualidade se traduz na execução de teste hidrostáticos e Eddy Current, e na manutenção de um laboratório que fornece um certificado de qualidade confiável para cada lote. “Acho que, graças a isso, temos alcançado nosso objetivos − apesar da crise”, observa.

Com uma participação ainda pequena em relação ao potencial do mercado de tubos sem costura, a diretoria da BTL acredita que existem muitas oportunidades e qualquer ganho de novos negócios significa uma crescimento rápido. Vale lembrar que a BTL é uma das duas únicas fabricantes de tubos sem costura do país. “Como o mercado de tubos sem costura é muito maior do que o de peças automotivas, existem mais áreas para crescer. Se todos os parâmetros atuais se mantiverem, utilizando m critério bem conservador, nós estimamos um crescimento de 15 por cento no faturamento da BTL em 2019”, completa José Marcio Bertoldo.

Acesse: www.btlsteelworks.com.br

 

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