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Revista do Aço

Usiminas reestrutura configuração produtiva para ganhar competitividade

Aço 2015/12/18 Siderurgia Nenhum Comentário
Usiminas reestrutura configuração produtiva para ganhar competitividade

Usina de Cubatão terá áreas primárias desativadas temporariamente;
Usina de Ipatinga concentrará produção de aço bruto

No final de outubro uma notícia causou um certo alvoroço no mercado do aço. A direção da Usiminas decidiu fazer um ajuste em sua configuração industrial e capacidade produtiva. Segundo um comunicado divulgado pela empresa, o objetivo da mudança “é fortalecer a capacidade competitiva da companhia diante do contexto de progressiva deterioração do mercado siderúrgico”.

Uma das medidas adotadas é iniciar um processo de desativação temporária das áreas primárias da Usina de Cubatão: sinterizações, coquerias, altos-fornos (um dos quais já tinha suas atividades paralisadas desde maio de 2015), aciaria e de atividades associadas a estas áreas. A estimativa é que este processo seja concluído entre três e quatro meses.

Desta forma, diz o comunicado da empresa, as operações da Usina de Cubatão ficarão concentradas nas áreas de laminação (tiras a frio e tiras a quente) e terminal portuário. A Usiminas está avaliando alternativas de como suprirá estas linhas com placas para serem laminadas.

A decisão de desativar temporariamente parte da Usina de Cubatão foi impulsionada pelo atual cenário econômico. Em nível mundial, o excesso de capacidade produtiva de aço já é da ordem de 700 milhões de toneladas e os patamares de preço encontram-se depreciados, sem perspectivas de recuperação consistente. Já no plano doméstico, números preliminares do Instituto Aço Brasil indicam queda no consumo aparente de aços planos de 14% neste ano em relação a 2014 e de 22% em relação a 2013, refletindo a atual crise econômica e a perda de participação da indústria de transformação no PIB brasileiro. Com isso, a siderurgia brasileira tem operado com um nível de capacidade instalada da ordem de menos de 70%. Somam-se os elevados custos de produção e a falta de isonomia competitiva frente à concorrência desleal do aço importado, notadamente da China.

Segundo o presidente da Usiminas, Rômel Erwin de Souza, estes fatores têm influenciado os resultados da empresa, o que exigiu a reconfiguração de suas operações. “O cenário mundial e doméstico para a siderurgia foi determinante para reposicionarmos a Usiminas em um patamar de escala mais viável à sua competitividade no curto e médio prazos”, afirma.

A Usina de Cubatão já havia tido um de seus dois altos-fornos desligados em maio deste ano, bem como seu laminador de chapas grossas em setembro. No entanto, os estudos da Usiminas apontaram que a alternativa mais viável, no atual cenário, era a paralisação das áreas primárias da unidade.

 Impacto

Diante das medidas adotadas pela empresa existe a possibilidade de que haja demissão. Isso preocupa os trabalhadores, em primeiro lugar, e também a prefeitura da cidade de Cubatão onde está instalada a usina. A prefeita da cidade, Marcia Rosa, chegou a solicitar uma audiência com o ministro do Trabalho e da Previdência Miguel Rosseto para discutir a crise na siderúrgica. Ela tem dito que a cidade será muito prejudicada. “Estamos mobilizando toda a Baixada Santista para reverter essa situação. Precisamos garantir o emprego e o futuro de Cubatão e da Região. Buscaremos o apoio do Governo Federal para essa luta”, afirmou a prefeita.

O impacto da paralisação temporária das áreas primárias da empresa será profundo, principalmente em Cubatão. Atualmente, a empresa é uma das maiores contribuintes do município em ICMS, IPTU e demais tributos, e ao paralisar a produção irá afetar a cidade diretamente e de forma expressiva. Este ano, a arrecadação de Cubatão já tem a maior queda da Baixada Santista: 27%.

A Usiminas tem consciência do impacto social desta medida sobre a empregabilidade na região da Baixada Santista. Porém, ressalta que diante dos últimos resultados financeiros, a desativação foi necessária para a própria sustentabilidade da Usiminas como empresa e, como tal, movimentadora de uma cadeia produtiva estratégica para a economia, como a indústria automotiva, de máquinas e equipamentos, construção civil, linha branca, naval, óleo e gás, distribuidores, entre outros.

Resultados

A Usiminas registrou prejuízo líquido de R$ 1,04 bilhão no terceiro trimestre desse ano, contra prejuízo líquido de R$ 780,8 milhões no segundo trimestre. O número reflete, principalmente, a forte desvalorização cambial no período e o cenário de desaquecimento nos mercados siderúrgico e de minério de ferro. O EBITDA ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 65,3 milhões negativos no terceiro trimestre, contra R$ 227,2 milhões positivos apresentados no segundo. A performance reflete a queda contínua da demanda por aços planos no Brasil e dos preços de minério de ferro.

Neste contexto, as vendas internas de aço da Usiminas foram de 751,5 mil t (64% do total), menores em 11,6% do que no segundo trimestre. As exportações aumentaram 0,8%, no período, totalizando 427,3 mil t (36% do total). Assim, o volume total de vendas de aço – de 1,18 milhão de t – caiu 7,5% em relação ao segundo trimestre.

Com o objetivo de adequar produção com vendas, as usinas de Ipatinga-MG e Cubatão-SP produziram 1,1 milhão de toneladas de aço bruto no terceiro trimestre, uma redução de 16% em relação a do segundo trimestre.

A produção de minério de ferro totalizou 738 mil t na Mineração Usiminas –27% a menos que o segundo trimestre – visando igualmente equilibrar a produção com vendas, que foram de 775 mil toneladas.

Os investimentos totais (CAPEX) da Companhia foram de R$ 156,5 milhões no terceiro trimestre, 30,8% inferiores quando comparados ao do segundo trimestre, resultado da estratégia da Companhia de controle de CAPEX e da diminuição do CAPEX de manutenção, em função dos desligamentos temporários de equipamentos nas plantas (na Usina de Ipatinga, um alto-forno; na Usina de Cubatão, um alto-forno e um laminador de chapas grossas).

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